Pesquisa com oito pacientes foi revisada por pares e publicada em revista científica, mas especialistas ainda consideram insuficientes as evidências para confirmar benefício da polilaminina.
O primeiro estudo sobre o uso da polilaminina em seres humanos foi publicado nesta terça-feira (4) na revista científica “Spinal Cord”, do grupo Springer Nature. A pesquisa avaliou se a aplicação da substância diretamente na medula era segura e tecnicamente viável, mas ainda não demonstra que o tratamento seja eficaz para recuperar pacientes com lesão medular.
O trabalho acompanhou oito pacientes com lesão traumática completa da medula. Seis apresentaram algum grau de recuperação motora durante o acompanhamento. Como o estudo não incluiu um grupo de comparação com pacientes que não receberam a substância, os próprios autores reconhecem que ainda não é possível atribuir essa evolução à polilaminina.
O que você precisa saber
- O fato: Artigo sobre polilaminina foi publicado após revisão científica.
- Quando: Terça-feira (4).
- Onde: Revista científica “Spinal Cord”, do grupo Springer Nature.
- Importa porque: A publicação amplia a discussão científica, mas ainda não comprova a eficácia do tratamento.
Estudo teve mudanças após críticas à versão preliminar
Antes da publicação, a pesquisa havia sido divulgada em 2024 como pré-print, etapa em que o trabalho ainda não havia passado por revisão por pares. Na época, o estudo também foi recusado por outros periódicos. A versão publicada corrigiu problemas identificados anteriormente, incluindo um erro em um gráfico que indicava cerca de 400 dias de acompanhamento para um paciente que morreu cinco dias após o procedimento.
O novo artigo também acrescenta informações sobre os exames utilizados para descartar o choque medular, condição temporária que pode interferir na avaliação inicial da gravidade da lesão. Ainda assim, o estudo não informa quantos pacientes foram avaliados antes da seleção dos oito participantes incluídos na pesquisa.
Ausência de grupo de controle limita as conclusões
Segundo o próprio artigo, ainda não é possível afirmar se a recuperação observada ocorreu pela ação da polilaminina, pela recuperação natural do organismo, pela cirurgia realizada ou pela fisioterapia. A ausência de um grupo de controle impede uma comparação direta entre pacientes submetidos e não submetidos ao tratamento.
Outro ponto alterado em relação ao pré-print foi a taxa de recuperação espontânea usada como referência pelos pesquisadores. Enquanto a versão preliminar citava aproximadamente 9%, o artigo publicado passou a utilizar uma faixa entre 0% e cerca de 15%. Revisores de versões anteriores também apontaram estudos que indicavam índices próximos de 40%, mostrando que esse parâmetro ainda é motivo de debate.
Pesquisa relata segurança do procedimento
O artigo informa que não houve piora neurológica nem eventos adversos graves atribuídos ao procedimento. Durante o acompanhamento, três pacientes morreram por pneumonia, tamponamento cardíaco e sepse. Segundo a publicação, os casos foram analisados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa e não foram relacionados à aplicação da polilaminina.
Os autores destacam que serão necessários estudos maiores, com grupos de comparação, para verificar se a polilaminina realmente contribui para a recuperação de pacientes com lesão medular.
Fonte: G1
