Pesquisa com camundongos identificou diferenças entre machos e fêmeas na resposta ao estresse prolongado e reforça achados observados em humanos.
Mulheres podem ser mais vulneráveis aos efeitos do estresse crônico do que homens. A conclusão é de uma pesquisa conduzida por cientistas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que identificou diferenças entre machos e fêmeas na forma como respondem à exposição prolongada ao estresse.
Segundo as pesquisadoras, os resultados ajudam a compreender por que transtornos como ansiedade e depressão são mais frequentes entre mulheres. O estudo utilizou um modelo experimental com camundongos expostos a semanas consecutivas de estressores ambientais que simulam situações de pressão contínua.
O que você precisa saber
- O fato: Estudo identificou maior sensibilidade das fêmeas aos efeitos do estresse crônico.
- Quando: Data da pesquisa não informada na apuração.
- Onde: Laboratório de Farmacologia Molecular da UFRJ.
- Importa porque: O trabalho ajuda a entender mecanismos ligados à ansiedade e à depressão.
Estresse crônico está associado a doenças físicas e mentais
O estresse prolongado já é associado pela literatura científica ao aumento do risco cardiovascular, alterações em regiões cerebrais relacionadas à memória e ao envelhecimento de células do sistema imunológico. Também é considerado um fator de risco para transtornos mentais ligados ao humor e à ansiedade.
De acordo com as autoras, o transtorno depressivo maior afeta mais de 320 milhões de pessoas em todo o mundo. Entre os sintomas estão humor deprimido, perda de interesse por atividades antes consideradas prazerosas, alterações de sono, mudanças no apetite e dificuldade de concentração.
Experimento avaliou semanas de exposição ao estresse
Os pesquisadores utilizaram camundongos Swiss adultos submetidos ao modelo conhecido como estresse crônico moderado imprevisível, chamado pela sigla CUMS. Os animais foram expostos a quatro, seis ou oito semanas de estressores ambientais antes das avaliações comportamentais e hormonais.
Também foi medida a corticosterona sérica, principal hormônio relacionado ao estresse em roedores e equivalente ao cortisol nos seres humanos. O objetivo era observar se existiam diferenças entre machos e fêmeas ao longo do tempo.
Fêmeas apresentaram alterações mais evidentes
Os resultados mostraram que machos e fêmeas desenvolveram sinais de ansiedade nas primeiras semanas. Com a continuidade da exposição ao estresse, porém, as respostas passaram a seguir trajetórias diferentes.
Segundo o estudo, as fêmeas apresentaram alterações comportamentais relacionadas à ansiedade e à depressão de forma mais intensa. Os comportamentos compatíveis com depressão surgiram após aproximadamente dois meses de exposição contínua ao estresse.
Outro achado foi o aumento da corticosterona apenas nas fêmeas. Para as autoras, os resultados se aproximam dos dados observados em humanos, nos quais mulheres apresentam maior probabilidade de desenvolver ansiedade e depressão relacionadas ao estresse.
Pesquisa amplia a compreensão sobre diferenças entre os sexos
As pesquisadoras destacam que poucos estudos haviam realizado comparações diretas e abrangentes entre machos e fêmeas utilizando animais com maior variabilidade genética. Por isso, a equipe optou pelos camundongos Swiss, que apresentam características consideradas mais próximas da diversidade genética observada na população humana.
Segundo as autoras, compreender os mecanismos ligados à vulnerabilidade e à resistência ao estresse pode contribuir para futuras pesquisas sobre transtornos psiquiátricos relacionados à ansiedade e à depressão. Todos os experimentos foram aprovados pela Comissão de Ética no Uso de Animais da UFRJ e seguiram as diretrizes do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea)
Fonte: G1
