Especialistas explicam a diferença entre preocupação genuína e body shaming e alertam para os impactos dos comentários sobre aparência nas redes sociais.
Os comentários sobre a aparência da cantora Ariana Grande reacenderam a discussão sobre os limites entre preocupação com a saúde e o chamado body shaming. Segundo especialistas ouvidos pelo G1, a exposição constante a críticas sobre o corpo pode causar impactos importantes na saúde mental e até agravar transtornos alimentares.
De acordo com o agente da artista, Ariana Grande decidiu fazer uma pausa na carreira e reduzir as aparições públicas após o fim da turnê devido à “exposição constante e interminável” nas redes sociais. A repercussão ganhou força após o lançamento do clipe “Petal”, no qual a personagem interpretada pela cantora enfrenta críticas sobre a própria aparência.
O que você precisa saber
- O fato: Especialistas alertam para os efeitos do body shaming na saúde mental.
- Quando: Após a repercussão envolvendo Ariana Grande e o lançamento do clipe “Petal”.
- Onde: Debate ganhou força nas redes sociais.
- Importa porque: Comentários sobre a aparência podem favorecer sofrimento psicológico e agravar transtornos alimentares.
Especialistas explicam o que caracteriza o body shaming
Body shaming é o termo utilizado para definir atitudes, comentários ou comportamentos que ridicularizam ou depreciam a aparência física de uma pessoa. Segundo a psicóloga Christina Marcondes Morgan, docente da Escola Paulista de Medicina da Unifesp e coordenadora do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata), uma grande quantidade de comentários sobre o corpo pode ser especialmente prejudicial para quem já apresenta sofrimento relacionado à imagem corporal.
“A mega exposição nas redes sociais com comentários sobre a aparência pode ser avassaladora para alguém que esteja sensível ao tema e que já tenha uma autoavaliação prejudicada, extremamente baseada no peso e forma do corpo”, afirmou Morgan ao G1.
Preocupação com a saúde exige cuidado e privacidade
A psicóloga Rogéria Taragano, supervisora de Psicologia no Ambulatório de Anorexia Nervosa do Instituto de Psiquiatria da USP, afirma que comentários sobre a aparência costumam produzir efeitos negativos, mesmo quando parecem demonstrar preocupação.
Segundo a especialista, quando existe uma preocupação verdadeira, a conversa deve ocorrer em ambiente privado e partir de alguém que tenha vínculo com a pessoa. A recomendação também é compartilhada por Morgan, que orienta evitar comentários públicos sobre características físicas.
Exaltação da magreza preocupa especialistas
As especialistas também alertam para o crescimento de conteúdos nas redes sociais que valorizam a magreza extrema. Segundo Morgan, a exposição contínua a imagens de influenciadores pode reforçar a ideia de que determinados padrões corporais são facilmente alcançáveis, favorecendo comparações e insatisfação com o próprio corpo.
Ela cita que houve aumento nos casos de anorexia nervosa entre meninas de 10 a 14 anos entre 1985 e 2019. Para Taragano, a valorização da magreza extrema pode agravar transtornos alimentares, que são considerados doenças mentais graves.
Sinais podem indicar transtornos alimentares
Segundo as especialistas ouvidas pelo G1, perda importante de peso não é o único sinal de um transtorno alimentar. Mudanças no comportamento também merecem atenção, como alteração dos hábitos alimentares, preocupação excessiva com peso e comida, isolamento social, prática compulsiva de exercícios físicos e uso frequente de roupas largas para esconder o corpo.
As especialistas afirmam que os transtornos alimentares têm origem multifatorial e que o tratamento deve envolver uma equipe multidisciplinar, com profissionais como psiquiatras, psicólogos e nutricionistas. Pessoas com sinais persistentes de sofrimento relacionado à alimentação, ao peso ou à imagem corporal devem procurar avaliação profissional.
Fonte: G1
