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terça-feira, 20 outubro, 2026
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Lenacapavir: remédio aplicado duas vezes por ano contra o HIV ainda enfrenta barreiras de acesso

Medicamento de ação prolongada mostrou alta eficácia na prevenção do HIV, mas especialistas alertam que o preço e a distribuição ainda limitam o acesso em vários países, incluindo o Brasil.

O lenacapavir, medicamento injetável aplicado apenas duas vezes por ano para prevenção do HIV, é considerado um dos maiores avanços recentes no combate ao vírus. Apesar dos resultados promissores, especialistas alertam que o alto custo e o acesso limitado ainda impedem que a tecnologia beneficie quem mais precisa.

Segundo informações divulgadas pela DW e repercutidas pelo G1, o medicamento demonstrou alta eficácia como Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), estratégia que reduz o risco de infecção pelo HIV. No entanto, sua distribuição permanece restrita em diversas regiões do mundo, incluindo países da América Latina.

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O que você precisa saber

  • O fato: Lenacapavir é um medicamento injetável de longa duração para prevenção do HIV.
  • Quando: A distribuição começou na África do Sul em junho de 2026.
  • Onde: O medicamento já começou a ser disponibilizado em alguns países, mas ainda não chegou a várias regiões, incluindo o Brasil.
  • Importa porque: A aplicação semestral pode aumentar a adesão à PrEP e reduzir novas infecções por HIV.

Aplicação semestral reduz dificuldade de adesão

A PrEP utiliza medicamentos antirretrovirais para impedir que o HIV se estabeleça no organismo após uma possível exposição ao vírus. Atualmente, a estratégia mais utilizada exige o uso diário de comprimidos, o que dificulta a continuidade do tratamento para muitas pessoas.

Segundo o diretor e cofundador do Centro para o Programa de Pesquisa em Aids da África do Sul, Salim Abdool Karim, manter uma medicação diária é um desafio porque os usuários da PrEP são pessoas saudáveis. Ele afirma que muitos interrompem o tratamento poucos meses após o início.

Com apenas uma aplicação a cada seis meses, o lenacapavir reduz essa dificuldade e pode melhorar significativamente a adesão ao tratamento preventivo.

Medicamento atua de forma diferente dos tratamentos atuais

Diferentemente da maioria dos medicamentos utilizados na PrEP, que bloqueiam enzimas necessárias para a multiplicação do HIV, o lenacapavir atua diretamente sobre o capsídeo, estrutura que protege o material genético do vírus e participa do processo de replicação.

Segundo o bioquímico Wesley Sundquist, da Universidade de Utah, o lenacapavir é a molécula mais potente conhecida atualmente contra o HIV. O pesquisador afirma que o medicamento permanece ativo por longos períodos e continua eficaz mesmo em baixas concentrações.

Grupos vulneráveis podem ser os mais beneficiados

De acordo com Abdool Karim, ampliar o acesso ao lenacapavir é especialmente importante para adolescentes e mulheres jovens em partes da África, jovens homens gays em países ocidentais e comunidades LGBTQIA+ vulneráveis no Leste Europeu e na Ásia Central, grupos onde a incidência do HIV continua elevada.

Na África do Sul, a distribuição começou em junho de 2026 graças a um acordo firmado entre a farmacêutica Gilead e o Global Fund. Pelo compromisso, a empresa fornecerá o medicamento sem lucro para até dois milhões de pessoas durante três anos.

Preço e distribuição ainda limitam o acesso

Apesar desse avanço, especialistas afirmam que o acesso ao lenacapavir continua insuficiente. Países como Brasil, México, Peru e Argentina ficaram de fora dos acordos recentes para fornecimento do medicamento, embora tenham participado dos estudos clínicos.

Melissa Scharwey, da organização Médicos Sem Fronteiras, defende que a Gilead amplie a oferta e disponibilize o medicamento por um preço mais acessível para ampliar a prevenção em países de renda média e baixa.

Especialistas afirmam que o medicamento sozinho não acabará com a epidemia

Modelos desenvolvidos pela epidemiologista Monisha Sharma, da Universidade de Washington, indicam que ampliar o acesso ao lenacapavir entre pessoas com maior risco pode evitar entre 12% e 18% das novas infecções ao longo de dez anos em algumas regiões africanas.

A pesquisadora ressalta, porém, que o medicamento não eliminará a transmissão do HIV por si só. Segundo ela, o impacto depende de preços acessíveis, distribuição eficiente e da capacidade dos sistemas de saúde de alcançar as pessoas com maior risco de infecção.

Os especialistas também destacam que a prevenção ao HIV continua baseada em diferentes estratégias, como acesso à PrEP, uso de preservativos, testagem regular e acompanhamento pelos serviços de saúde.

Fonte: G1

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