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segunda-feira, 13 julho, 2026
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Vacinas personalizadas, exercício físico e IA impulsionam nova era no tratamento do câncer

Estudos apresentados na reunião anual da ASCO mostram avanços em diferentes frentes da oncologia, com resultados promissores para vacinas personalizadas, novos medicamentos, atividade física e inteligência artificial

Vacinas personalizadas, programas de exercícios físicos e ferramentas de inteligência artificial estão entre os avanços que vêm mudando o tratamento do câncer. Os resultados mais recentes foram apresentados durante a 61ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), realizada em maio, em Chicago, nos Estados Unidos, e indicam que diferentes estratégias começam a produzir resultados relevantes ao mesmo tempo.

Segundo informações apresentadas durante o congresso, a oncologia vive um momento diferente daquele marcado pela busca de uma única descoberta revolucionária. Estudos sobre medicamentos de alta tecnologia, terapias personalizadas, reposicionamento de remédios já conhecidos e intervenções acessíveis passaram a mostrar benefícios consistentes para diferentes tipos de câncer.

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O que você precisa saber

  • O fato: Pesquisas apresentadas na ASCO mostram avanços importantes em várias áreas do tratamento do câncer.
  • Quando: Durante a reunião anual da ASCO, realizada em maio de 2026.
  • Onde: Chicago, Estados Unidos.
  • Importa porque: Os resultados apontam novas possibilidades para aumentar a eficácia dos tratamentos e personalizar o cuidado aos pacientes.

Medicamento experimental traz resultados contra câncer de pâncreas

Um dos momentos de maior repercussão da conferência ocorreu durante a apresentação do estudo RASolute 302, conduzido pelo Dana-Farber Cancer Institute. Os pesquisadores divulgaram resultados do daraxonrasibe, medicamento experimental voltado ao tratamento do câncer de pâncreas.

Segundo os dados apresentados, o tratamento praticamente dobrou a sobrevida dos pacientes quando comparado à quimioterapia convencional. O resultado chamou atenção porque o câncer de pâncreas permanece entre os tumores com pior prognóstico, com baixa taxa de sobrevivência cinco anos após o diagnóstico.

O medicamento atua sobre alterações no gene RAS, identificado como um dos principais motores biológicos de diversos tumores. Alterações nesse gene estão presentes em aproximadamente um terço dos cânceres conhecidos, tornando esse alvo um dos mais estudados da oncologia moderna.

Vacinas personalizadas ampliam a medicina de precisão

Outro destaque da ASCO foi a evolução das vacinas personalizadas baseadas em RNA mensageiro (mRNA), tecnologia que ganhou notoriedade durante a pandemia de Covid-19. No câncer, porém, a proposta é diferente: desenvolver uma vacina exclusiva para cada paciente.

Após a retirada cirúrgica do tumor, os pesquisadores analisam o material genético da doença para identificar mutações presentes apenas naquele câncer. Essas informações são utilizadas para produzir uma vacina capaz de estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais remanescentes.

Os resultados apresentados envolveram pacientes com melanoma de alto risco. Conforme o estudo, aqueles que receberam a vacina personalizada Intismeran em conjunto com imunoterapia apresentaram redução próxima de 50% no risco de recorrência da doença ou morte em comparação aos pacientes tratados apenas com imunoterapia.

Cinco anos após o tratamento, aproximadamente 69% dos pacientes vacinados permaneciam livres do câncer. Apesar dos resultados promissores, pesquisadores ressaltam que estudos maiores ainda estão em andamento para confirmar a eficácia da estratégia.

Estratégia também avança para outros tipos de tumores

Além do melanoma, pesquisas semelhantes já estão sendo desenvolvidas para câncer de pulmão, pâncreas e bexiga. A expectativa é que esse modelo de medicina personalizada permita tratamentos cada vez mais direcionados às características biológicas de cada tumor, aumentando a precisão das terapias.

Exercício físico ganha espaço entre os tratamentos complementares

Outro estudo apresentado durante a reunião da ASCO mostrou que a atividade física pode ter impacto direto na evolução de pacientes tratados contra o câncer. A pesquisa internacional CHALLENGE acompanhou pessoas que passaram por cirurgia para câncer de intestino e avaliou os efeitos de um programa estruturado de exercícios após o tratamento.

Os resultados indicaram que os pacientes que participaram regularmente das atividades apresentaram menor risco de recidiva da doença e melhores índices de sobrevida quando comparados ao grupo que recebeu apenas orientações gerais sobre hábitos saudáveis.

Após cinco anos de acompanhamento, a sobrevida livre da doença foi de 80,3% entre os participantes do programa de exercícios, contra 73,9% entre aqueles que receberam somente orientações educativas. Segundo os pesquisadores, o benefício foi semelhante ao observado em alguns medicamentos utilizados atualmente na oncologia.

Além dos resultados clínicos, os pesquisadores também apresentaram análises mostrando que programas estruturados de atividade física podem reduzir custos para sistemas públicos e privados de saúde, ampliando o acesso a estratégias complementares de tratamento.

Medicamentos conhecidos ganham novas aplicações

Outra frente de pesquisa apresentada durante o congresso envolve o reposicionamento de medicamentos. A estratégia consiste em utilizar remédios já conhecidos para tratar doenças diferentes daquelas para as quais foram originalmente desenvolvidos.

Entre os estudos apresentados está uma pesquisa que mostrou redução de aproximadamente 50% no risco de recidiva em um grupo específico de pacientes com câncer de intestino tratados com baixa dose de aspirina. O benefício foi observado em pessoas identificadas por meio de análise genética do tumor.

Outro exemplo citado foi o abemaciclibe, medicamento inicialmente desenvolvido para câncer de mama. Em estudos recentes, ele demonstrou eficácia contra um tipo raro e agressivo de sarcoma, tornando-se o primeiro tratamento com resultados positivos para essa doença.

Segundo os pesquisadores, a tendência atual é direcionar os tratamentos de acordo com as alterações biológicas presentes no tumor e não apenas pelo órgão onde ele surgiu. Essa abordagem amplia as possibilidades de utilização de medicamentos já disponíveis para diferentes tipos de câncer.

Inteligência artificial acelera pesquisas em oncologia

A inteligência artificial também ocupou espaço de destaque durante a conferência. Embora as descobertas apresentadas sejam resultado de anos de pesquisas em biologia e genética, ferramentas baseadas em IA vêm acelerando a análise de grandes volumes de dados utilizados pelos pesquisadores.

Esses sistemas auxiliam na identificação de mutações relevantes, ajudam a prever quais pacientes podem responder melhor a determinados tratamentos e permitem localizar padrões biológicos que seriam difíceis de identificar apenas por métodos convencionais.

A organização da ASCO dedicou sessões específicas ao uso da inteligência artificial na oncologia, incluindo projetos voltados para ampliar o acesso a essas tecnologias em regiões com poucos recursos. Os especialistas destacaram, porém, que parte desses estudos ainda está em fase inicial e necessita de novas validações.

Avanços apontam uma nova fase no tratamento do câncer

Na avaliação apresentada durante a conferência, o principal avanço de 2026 não está concentrado em uma única descoberta, mas na combinação de diferentes estratégias que começam a apresentar resultados consistentes ao mesmo tempo. Vacinas personalizadas, terapias direcionadas, programas de atividade física, reaproveitamento de medicamentos e inteligência artificial formam um conjunto de abordagens que pode ampliar as possibilidades de tratamento nos próximos anos.

Os dados divulgados durante a ASCO reforçam que muitos desses tratamentos ainda dependem de novos estudos antes de serem incorporados à prática clínica em larga escala. Pacientes com câncer devem sempre discutir opções terapêuticas com o médico responsável, que poderá indicar as abordagens mais adequadas para cada caso.

As informações foram apresentadas durante a 61ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO) e incluem análises do oncologista Thiago Jorge, coordenador do Setor de Tumores Gastrointestinais e do Programa de Inovação em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Fonte: G1

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