Levantamento da Associação Americana de Psicologia mostra que pacientes recorrem a chatbots para apoio emocional, autodiagnóstico e orientação, mas especialistas alertam para os limites da tecnologia.
Cada vez mais pacientes estão recorrendo à inteligência artificial como complemento ao acompanhamento psicológico. Uma pesquisa da Associação Americana de Psicologia (APA) revelou que psicólogos têm observado o uso frequente de chatbots para apoio emocional, organização de pensamentos e até autodiagnóstico durante o processo terapêutico.
O levantamento ouviu mais de 1.200 psicólogos licenciados nos Estados Unidos que atuam diretamente no atendimento clínico. Segundo a APA, a maioria dos profissionais relatou que seus pacientes já utilizaram ferramentas de inteligência artificial para buscar orientação relacionada à saúde mental, o que reforça o crescimento desse comportamento.
O que você precisa saber
- O fato: Pesquisa mostra que pacientes utilizam inteligência artificial como complemento à terapia.
- Quando: Dados divulgados pela Associação Americana de Psicologia.
- Onde: Pesquisa realizada com psicólogos dos Estados Unidos.
- Importa porque: O uso crescente da IA na saúde mental levanta oportunidades, mas também preocupações sobre segurança e limites da tecnologia.
Pesquisa mostra crescimento do uso da IA durante a terapia
Segundo a APA, 77% dos psicólogos entrevistados disseram que seus pacientes recorreram à inteligência artificial para obter apoio emocional, pedir conselhos relacionados à saúde mental ou esclarecer dúvidas durante o tratamento.
Os pesquisadores observam que o percentual pode ser ainda maior, já que o levantamento considerou apenas pessoas que já fazem terapia. Adolescentes e jovens que não recebem acompanhamento profissional podem estar utilizando chatbots como alternativa mais acessível para conversar sobre questões emocionais.
Autodiagnóstico preocupa profissionais
Entre os dados apresentados, 39% dos psicólogos afirmaram que seus pacientes utilizaram inteligência artificial para realizar autodiagnósticos. A APA alerta que os chatbots não foram desenvolvidos para interpretar avaliações psicológicas nem para diagnosticar transtornos mentais ou outras condições clínicas.
O levantamento também mostrou que 33% dos pacientes usam a tecnologia como ferramenta complementar à terapia. Outros 34% recorrem aos sistemas para criar lembretes, organizar hábitos ou fortalecer o autocontrole durante o tratamento.
Chatbots também são usados para companhia e entretenimento
O estudo identificou que parte dos usuários passou a utilizar a inteligência artificial para finalidades que vão além do acompanhamento terapêutico. Segundo os psicólogos entrevistados, 33% dos pacientes conversavam com chatbots por entretenimento, 22% buscavam companhia e 13% relataram utilizá-los como forma de relacionamento íntimo.
Os dados mostram que a interação com ferramentas de inteligência artificial tem ultrapassado o uso informativo e se aproximado de relações pessoais, fenômeno que vem sendo acompanhado por pesquisadores da área da saúde mental.
Pesquisa aponta sinais de dependência da inteligência artificial
Embora poucos profissionais tenham relatado situações consideradas claramente prejudiciais, 36% dos psicólogos afirmaram perceber algum grau de dependência dos pacientes em relação aos chatbots. O comportamento inclui o uso frequente da tecnologia para buscar conforto emocional, orientação ou validação de decisões do dia a dia.
Segundo a APA, esse resultado reforça a necessidade de utilizar a inteligência artificial como ferramenta complementar, sem substituir o acompanhamento realizado por profissionais qualificados.
APA orienta que inteligência artificial não substitui atendimento psicológico
Junto com a divulgação da pesquisa, a Associação Americana de Psicologia publicou um guia com orientações sobre o uso responsável da inteligência artificial na saúde mental. A entidade destaca que os chatbots não oferecem julgamento clínico, não estabelecem vínculo terapêutico e não conseguem compreender o contexto individual de cada pessoa da mesma forma que um psicólogo.
Segundo a APA, esses sistemas costumam produzir respostas que reforçam a percepção do usuário, podendo concordar com afirmações mesmo quando elas não refletem a realidade. Também podem transmitir informações com segurança aparente, ainda que estejam incorretas.
A entidade alerta ainda que os chatbots foram desenvolvidos para manter a conversa ativa, criando uma sensação de acolhimento e proximidade que não corresponde a uma relação humana nem a um processo terapêutico.
Privacidade dos dados exige atenção
Outro ponto destacado pela APA envolve a privacidade das informações compartilhadas durante as conversas com inteligência artificial. Segundo a entidade, os dados inseridos pelos usuários podem ser armazenados pelas empresas responsáveis pelos serviços e utilizados conforme as políticas de privacidade de cada plataforma.
Por esse motivo, a recomendação é evitar compartilhar informações altamente sensíveis ou confidenciais sem conhecer as regras de tratamento de dados adotadas pelo serviço utilizado.
Uso da IA pode complementar, mas não substituir a terapia
A pesquisa indica que a inteligência artificial vem sendo incorporada por parte dos pacientes como apoio para organização de pensamentos, lembretes e conversas sobre questões emocionais. Ao mesmo tempo, a Associação Americana de Psicologia reforça que essas ferramentas não substituem avaliação clínica, diagnóstico ou tratamento psicológico.
Em situações relacionadas à saúde mental, sintomas persistentes ou sofrimento emocional, a orientação continua sendo procurar atendimento com psicólogos e outros profissionais habilitados. As informações divulgadas pela APA têm como objetivo orientar o uso responsável da tecnologia, sem substituir o cuidado especializado.
Fonte: G1
