Especialistas e entidades médicas afirmam que infusões de vitaminas têm indicações clínicas específicas e não há evidências de que aumentem imunidade, energia ou promovam “detox”.
A soroterapia ganhou espaço em clínicas de estética com promessas de mais energia, fortalecimento da imunidade, efeito “detox” e melhora da aparência da pele. No entanto, especialistas e sociedades médicas afirmam que não existem evidências científicas de que esses benefícios ocorram em pessoas saudáveis.
Segundo reportagem do g1, a infusão intravenosa de vitaminas e outros nutrientes tem indicações médicas bem estabelecidas, principalmente em pacientes que apresentam dificuldade para absorver nutrientes, desidratação grave ou deficiências confirmadas por exames. Fora desses cenários, o procedimento não possui comprovação de eficácia para melhorar a saúde ou prevenir doenças.
O que você precisa saber
- O fato: não há evidências de que a soroterapia melhore imunidade, energia ou promova “detox” em pessoas saudáveis.
- Quando: o tema voltou ao debate após posicionamentos de entidades médicas e regulatórias.
- Onde: clínicas de estética e serviços que oferecem infusões intravenosas.
- Importa porque: o procedimento pode trazer riscos quando realizado sem indicação clínica.
A soroterapia possui indicações médicas específicas
A soroterapia consiste na administração de líquidos, medicamentos, vitaminas, minerais ou outros nutrientes diretamente na corrente sanguínea. Essa via é utilizada quando o organismo não consegue absorver adequadamente essas substâncias pelo sistema digestivo ou quando a reposição precisa ocorrer rapidamente.
Segundo a apuração, o tratamento é indicado em situações como doença de Crohn, retocolite ulcerativa, cirurgias que comprometem parte do intestino, quadros graves de desidratação e deficiências nutricionais confirmadas por exames laboratoriais.
O excesso de vitaminas também pode causar problemas
O reumatologista Adérito Cruz, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, afirma que a reposição intravenosa só faz sentido quando existe incapacidade comprovada de absorção pelo organismo. Caso contrário, a administração pela veia não oferece vantagem em relação à ingestão oral.
Os especialistas alertam que vitaminas e minerais em excesso podem sobrecarregar fígado e rins, provocar alterações neurológicas, náuseas e vômitos. Além disso, qualquer punção intravenosa apresenta riscos de infecção, inflamação da veia e reações alérgicas.
Entidades médicas não recomendam o uso estético
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que não existem evidências de segurança e eficácia da soroterapia para melhorar a saúde, prevenir doenças ou aumentar o bem-estar de pessoas saudáveis. A agência reforça que o procedimento deve permanecer restrito às situações clínicas em que existe indicação médica.
A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) também defendem que produtos injetáveis sejam prescritos apenas com base em evidências científicas e dentro das normas sanitárias.
A avaliação médica deve anteceder qualquer infusão
Os especialistas orientam que pacientes desconfiem de procedimentos que prometem diversos benefícios ao mesmo tempo sem apresentar comprovação científica. Antes de realizar qualquer infusão intravenosa, é recomendado confirmar se existe indicação médica individual, verificar se os produtos possuem registro sanitário e procurar profissionais habilitados.
Enquanto novas pesquisas continuam avaliando o papel das vitaminas em diferentes doenças, as evidências atuais apontam que alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e acompanhamento médico continuam sendo as medidas com melhores resultados comprovados para preservar a saúde.
Fonte: G1

