Pesquisa publicada na revista The Lancet Public Health indica que o tempo vivido com doenças aumentou no Brasil desde 1990 e reforça a importância da prevenção.
Os brasileiros estão vivendo mais, mas também passam mais tempo convivendo com doenças, limitações ou incapacidades. É o que mostra um estudo publicado na revista científica The Lancet Public Health, que analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023. No Brasil, esse período chegou a 12,5 anos em 2023, um aumento de 2,1 anos em comparação com 1990.
O levantamento utilizou dados do Global Burden of Disease 2023 e aponta que o Brasil ocupa a 16ª posição entre os países com maior tempo médio vivido em condições de saúde comprometidas. Segundo os pesquisadores, o aumento da expectativa de vida não foi acompanhado pelo mesmo crescimento dos anos vividos com boa saúde.
O que você precisa saber
- O fato: brasileiros vivem, em média, 12,5 anos com alguma doença ou limitação de saúde.
- Quando: dados referentes ao ano de 2023, comparados com a série histórica iniciada em 1990.
- Onde: estudo analisou informações de 204 países e territórios.
- Importa porque: o aumento da longevidade não ocorreu na mesma proporção dos anos vividos com saúde.
A lacuna entre viver mais e viver com saúde aumentou
Os pesquisadores calcularam a chamada “lacuna de morbidade”, indicador que corresponde à diferença entre a expectativa total de vida e a expectativa de vida saudável. Em outras palavras, representa o tempo médio que uma pessoa vive com doenças, limitações ou incapacidades.
No Brasil, essa lacuna passou de 10,4 anos em 1990 para 12,5 anos em 2023. Durante a pandemia de Covid-19 houve uma pequena redução em 2021, mas, segundo o estudo, isso ocorreu porque tanto a expectativa de vida quanto a expectativa de vida saudável diminuíram simultaneamente, e não porque a população ficou mais saudável.
As doenças crônicas têm peso crescente
Segundo o levantamento, os problemas que mais contribuem para os anos vividos com limitações em nível mundial são os distúrbios musculoesqueléticos, principalmente a dor lombar, os transtornos mentais, como depressão e ansiedade, as doenças que afetam os órgãos dos sentidos, as lesões não intencionais, especialmente quedas, e outras doenças não transmissíveis.
Entre os fatores de risco apontados pelos pesquisadores estão glicemia elevada, excesso de peso, desnutrição materno-infantil e tabagismo, todos associados ao desenvolvimento de doenças crônicas ao longo da vida.
Especialista defende foco na qualidade da longevidade
Para o endocrinologista Clayton Macedo, o estudo reforça a necessidade de ampliar o olhar sobre o envelhecimento. Segundo ele, viver mais continua sendo um avanço da medicina, mas a meta deve incluir autonomia, capacidade funcional e qualidade de vida durante o envelhecimento.
O médico destaca que fatores como diabetes, glicemia elevada, excesso de peso e obesidade favorecem o desenvolvimento de doenças crônicas e podem reduzir os anos vividos com boa saúde.
Países desenvolvidos também convivem com mais anos de doença
O estudo mostra que países com maior expectativa de vida tendem a registrar também períodos mais longos convivendo com doenças crônicas não fatais. Em 2023, Estados Unidos, Austrália e Canadá lideraram o ranking da maior lacuna de morbidade. O Brasil apareceu na 16ª posição.
Os autores defendem que políticas públicas passem a considerar não apenas a redução da mortalidade, mas também a diminuição do tempo vivido com doenças. O estudo aponta prevenção, reabilitação e cuidados de longo prazo como estratégias para melhorar a qualidade de vida da população.
Fonte: G1

