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quarta-feira, 15 julho, 2026
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Autocoleta para HPV amplia prevenção do câncer do colo do útero e pode reduzir desigualdades no Brasil

Nova diretriz nacional prioriza o teste molecular para HPV e permite que a própria mulher realize a coleta, ampliando o acesso ao rastreamento e fortalecendo a prevenção do câncer do colo do útero.

A autocoleta para HPV passa a integrar a estratégia brasileira de rastreamento do câncer do colo do útero e pode ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, principalmente entre mulheres que enfrentam dificuldades para realizar o exame ginecológico convencional. A mudança faz parte das novas diretrizes nacionais para prevenção da doença, que ainda registra cerca de 19 mil novos casos por ano no país, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

As novas recomendações priorizam o teste molecular para identificação do Papillomavirus humano (HPV), responsável pela quase totalidade dos casos de câncer do colo do útero. Além da coleta realizada por profissionais de saúde, o exame também poderá ser feito pela própria mulher por meio da autocoleta vaginal, alternativa que busca reduzir barreiras de acesso e aumentar a participação no rastreamento.

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O que você precisa saber

  • O fato: O Brasil passou a adotar a autocoleta para HPV como parte das novas diretrizes para rastreamento do câncer do colo do útero.
  • Quando: A nova diretriz foi publicada em 2025 e será implantada gradualmente no SUS.
  • Onde: Em todo o território nacional.
  • Importa porque: A estratégia pode ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e reduzir desigualdades na prevenção da doença.

Nova diretriz muda a forma de rastreamento

Durante muitos anos, o exame de Papanicolau foi a principal ferramenta utilizada para identificar alterações no colo do útero. Com a publicação da Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, o país iniciou a transição para o teste molecular de HPV, considerado mais sensível para detectar infecções pelos tipos do vírus associados ao desenvolvimento da doença.

A implantação ocorrerá de forma gradual no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo dos próximos cinco anos. O objetivo é ampliar a capacidade de identificação precoce de lesões antes que elas evoluam para o câncer.

Autocoleta pode ampliar a participação das mulheres

Uma das principais novidades da diretriz é a possibilidade de a própria mulher realizar a coleta vaginal para o teste de HPV. O procedimento é rápido, simples e pode ser realizado em casa, em unidades de saúde ou em outros locais definidos pelos serviços responsáveis pelo rastreamento.

A proposta busca alcançar principalmente mulheres que deixam de realizar o exame preventivo por vergonha, medo do desconforto, dificuldades de acesso aos serviços de saúde ou situações de vulnerabilidade social. Ao reduzir essas barreiras, espera-se aumentar a cobertura do rastreamento e identificar precocemente mulheres com maior risco de desenvolver a doença.

Vacinação e rastreamento continuam sendo as principais formas de prevenção

O câncer do colo do útero está entre os tipos de câncer com maior potencial de prevenção. A vacinação contra o HPV, aliada ao rastreamento adequado, reduz de forma significativa o risco de desenvolvimento da doença. Mesmo com essas estratégias disponíveis, milhares de novos casos ainda são registrados todos os anos no Brasil.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país registra aproximadamente 19 mil novos casos anuais. A baixa adesão aos exames preventivos continua sendo um dos principais desafios para reduzir esse número.

Pesquisas buscam reduzir desigualdades no acesso ao exame

A professora da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e fundadora da Rede Previna-se desenvolve estudos sobre a autocoleta para teste de HPV desde 2013. As pesquisas procuram identificar formas de ampliar o acesso ao rastreamento, especialmente entre mulheres que encontram mais dificuldades para utilizar os serviços de saúde.

Ao longo desse período, os estudos identificaram que mulheres negras, tanto das áreas urbanas quanto das comunidades quilombolas, estão entre os grupos mais afetados pelo câncer do colo do útero e apresentam elevadas taxas de mortalidade. Esse cenário motivou a criação de um projeto voltado especificamente para essas populações.

Projeto nacional avalia a autocoleta em diferentes regiões

Em 2024, a Rede Previna-se iniciou o estudo “Autocoleta para teste de HPV como estratégia de promoção da equidade e de diminuição da morbimortalidade por câncer do colo do útero em mulheres negras das diferentes macrorregiões brasileiras”. A pesquisa foi contemplada pela Chamada Pública nº 21/2023 de Estudos Transdisciplinares em Saúde Coletiva, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O objetivo é avaliar a aceitação da autocoleta e a adesão ao exame entre mulheres negras urbanas e quilombolas, buscando gerar evidências que possam orientar futuras políticas públicas para ampliar o rastreamento do câncer do colo do útero.

Seis cidades participam da pesquisa

O estudo está sendo desenvolvido em diferentes macrorregiões brasileiras. Participam da pesquisa os municípios de Maringá, no Paraná, Dourados, no Mato Grosso do Sul, Manaus, no Amazonas, Natal, no Rio Grande do Norte, e Recife, em Pernambuco.

A diversidade das regiões participantes permitirá avaliar como a estratégia pode ser aplicada em diferentes realidades sociais e de acesso aos serviços de saúde.

Busca ativa leva o exame até as mulheres

O projeto conta com a participação de Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e lideranças comunitárias, que receberam treinamento para orientar as participantes sobre o HPV, o câncer do colo do útero e a realização da autocoleta.

Após a capacitação, teve início a busca ativa das mulheres elegíveis para o estudo. Ao todo, 600 participantes receberão um dispositivo para realizar a coleta da amostra, que será encaminhada para análise em laboratório especializado na identificação dos tipos de HPV de alto risco.

Diagnóstico precoce amplia as chances de prevenção

Quando o teste identifica a presença de HPV de alto risco, as participantes são encaminhadas para acompanhamento e tratamento conforme os protocolos da rede de saúde. A identificação precoce das alterações permite interromper a evolução da doença antes do surgimento do câncer.

Além dos resultados para as participantes, os pesquisadores esperam que as evidências produzidas pelo estudo contribuam para fortalecer políticas públicas de prevenção e ampliar o acesso ao rastreamento entre populações historicamente mais vulneráveis. Mulheres com dúvidas sobre vacinação, prevenção ou realização dos exames devem procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber orientação individualizada.

Fonte: G1

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