Sem registro em nenhum país, a retatrutida segue em fase de estudos. Anvisa, fabricante e especialistas alertam que produtos vendidos ilegalmente podem ter composição desconhecida e representar riscos à saúde.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que a retatrutida ainda não foi aprovada para comercialização em nenhum país. Mesmo assim, produtos vendidos como se contivessem a substância já circulam ilegalmente no Brasil, principalmente por meio de anúncios na internet, redes sociais e apreensões feitas na fronteira com o Paraguai.
Segundo a Anvisa, a molécula permanece em fase de estudos clínicos e não há pedido de registro apresentado no Brasil ou em qualquer outra autoridade regulatória do mundo. A farmacêutica Eli Lilly, responsável pelo desenvolvimento da substância, afirma que ninguém está autorizado a comercializar o medicamento neste momento.
O que você precisa saber
- O fato: produtos vendidos como retatrutida circulam ilegalmente antes da aprovação do medicamento.
- Quando: alerta divulgado pela Anvisa nesta sexta-feira (24).
- Onde: Brasil, com apreensões concentradas na fronteira de Foz do Iguaçu.
- Importa porque: não existe garantia sobre a composição, segurança ou eficácia dos produtos comercializados ilegalmente.
Anvisa confirma que a retatrutida ainda não pode ser comercializada
De acordo com a Anvisa, a única forma legal de receber retatrutida atualmente é participar de um estudo clínico conduzido pela Eli Lilly. A substância continua em fase 3 de pesquisas e ainda precisa concluir todas as etapas exigidas para que um pedido de registro possa ser analisado pelas autoridades sanitárias.
Antes da aprovação, a fabricante precisa demonstrar qual é a dose mais segura e eficaz, quais efeitos adversos podem ocorrer, quais pacientes não devem utilizar o medicamento, como ele interage com outros tratamentos e se os benefícios observados permanecem ao longo do tempo. Depois dessa etapa, os órgãos reguladores ainda avaliam o processo de fabricação, a qualidade do produto e o controle sanitário da produção.
Produtos ilegais já circulam antes da conclusão dos estudos
Mesmo sem aprovação, canetas anunciadas como retatrutida passaram a aparecer em sites, redes sociais e no mercado paralelo. Segundo dados da Receita Federal e da Anvisa, as apreensões desse tipo de produto cresceram rapidamente na fronteira de Foz do Iguaçu.
Nos três primeiros meses de 2026, o valor das apreensões superou R$ 11 milhões, ultrapassando todo o montante registrado ao longo de 2025. O Paraguai aparece como a principal origem desse comércio irregular de medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 destinados ao tratamento da obesidade e do diabetes.
Estudos mostram resultados promissores para perda de peso
A retatrutida pertence à mesma família de medicamentos da semaglutida, presente no Ozempic e no Wegovy, e da tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro. A principal diferença é que a nova molécula atua simultaneamente sobre três receptores relacionados ao metabolismo: GLP-1, GIP e glucagon.
Os resultados mais recentes divulgados pela Eli Lilly foram publicados na revista científica The Lancet. Em um estudo de fase 3 envolvendo mais de 2,3 mil adultos com obesidade ou sobrepeso associado a comorbidades, participantes que utilizaram a dose mais alta apresentaram perda média de 28,3% do peso corporal após 80 semanas de acompanhamento.
Outro estudo, realizado com adultos que tinham diabetes tipo 2, também mostrou redução importante do peso, melhora no controle da glicemia e benefícios em indicadores relacionados ao risco cardiovascular. Apesar dos resultados, a própria fabricante afirma que a molécula continua em desenvolvimento e ainda não pode ser considerada um medicamento aprovado.
Fonte: G1
