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Pesquisa indica que substância presente na ayahuasca pode estimular formação de novos neurônios

Estudo com células humanas observou que a DMT aumentou a proliferação de células-tronco neurais. Pesquisadores alertam que os resultados ainda não comprovam benefício terapêutico em pessoas.

Uma pesquisa com células humanas identificou que a dimetiltriptamina (DMT), substância psicodélica presente na ayahuasca, pode estimular a multiplicação de células-tronco neurais, consideradas precursoras de novos neurônios. Os resultados reforçam estudos anteriores realizados em animais, mas os pesquisadores destacam que ainda não há evidências de que o mesmo efeito ocorra no cérebro humano vivo.

O estudo foi conduzido por pesquisadores do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Segundo os autores, o trabalho amplia o entendimento sobre os efeitos celulares da DMT e abre novas possibilidades para futuras pesquisas sobre regeneração cerebral.

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O que você precisa saber

  • O fato: Pesquisadores observaram aumento da proliferação de células-tronco neurais após exposição à DMT.
  • Quando: O resultado foi divulgado em estudo científico recente.
  • Onde: A pesquisa foi realizada em laboratório com células humanas.
  • Importa porque: O estudo amplia o conhecimento sobre mecanismos de regeneração do cérebro, mas ainda não demonstra aplicação clínica.

Pesquisadores investigaram células humanas

Durante muitos anos predominou a ideia de que o cérebro adulto não seria capaz de produzir novos neurônios. Nas últimas décadas, pesquisas passaram a demonstrar que adultos mantêm pequenas reservas de células-tronco neurais, capazes de originar novos neurônios em determinadas condições. O objetivo do estudo foi avaliar se a DMT poderia estimular esse processo.

Para isso, os pesquisadores utilizaram células adultas reprogramadas para um estado semelhante ao embrionário. A partir delas foram produzidas células-tronco neurais humanas, permitindo observar diretamente os efeitos da substância em ambiente controlado, sem envolver participantes humanos.

DMT aumentou a multiplicação das células

Após uma exposição de 24 horas à DMT, uma parcela maior das células iniciou o processo de multiplicação. Os pesquisadores verificaram esse comportamento utilizando diferentes marcadores biológicos capazes de identificar células em divisão. Segundo o estudo, a substância aumentou a disposição das células para se multiplicarem, sem modificar o caminho natural de sua maturação.

Os cientistas também observaram aumento da produção de fatores relacionados ao desenvolvimento e à sobrevivência celular, entre eles o BDNF, conhecido por sua participação na plasticidade cerebral, e o NGF, que apresentou crescimento ainda maior durante os experimentos.

Resultados permaneceram após retirada da substância

Mesmo depois da retirada da DMT do ambiente de cultura, as células previamente expostas formaram estruturas maiores e apresentaram maior atividade metabólica nos primeiros dias de observação. Para os pesquisadores, isso indica que os efeitos celulares permaneceram mesmo sem a presença direta da molécula.

Apesar disso, o estudo mostrou que a DMT aumentou apenas a quantidade de células produzidas. Não houve alteração na proporção dos diferentes tipos celulares formados durante o desenvolvimento.

Aplicação clínica ainda depende de novas pesquisas

Os autores destacam que existe uma diferença importante entre os resultados obtidos em laboratório e o funcionamento do cérebro humano. Segundo o estudo, fabricar um neurônio envolve diversas etapas, como proliferação, sobrevivência, amadurecimento e integração aos circuitos cerebrais. Nesta pesquisa foi observada apenas a fase inicial desse processo.

O trabalho também cita estudos em animais e pesquisas clínicas em andamento envolvendo a DMT para depressão resistente ao tratamento. No entanto, os próprios pesquisadores afirmam que ainda não é possível concluir que os efeitos observados em células humanas resultem em benefícios terapêuticos para pacientes. O uso dessas substâncias deve ocorrer apenas em pesquisas autorizadas ou quando permitido pela legislação e acompanhado por profissionais habilitados.

Fonte: G1

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