Especialista afirma que testosterona é importante para o organismo, mas níveis mais altos não significam mais força, agressividade ou melhor desempenho militar.
Ter níveis mais altos de testosterona não torna automaticamente uma pessoa mais forte, mais agressiva ou mais preparada para atividades militares. Essa é a conclusão apresentada pelo psicólogo Adam Stanaland, professor assistente da Universidade de Richmond, em análise baseada em estudos sobre o hormônio e comportamento humano.
O tema ganhou repercussão após o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, anunciar que militares americanos com 30 anos ou mais passarão por exames anuais para identificar possíveis níveis baixos de testosterona. Segundo especialistas citados no artigo, a medida levanta debates porque ainda não há um valor único considerado “baixo” para todos os pacientes, e a indicação de tratamento depende da avaliação médica e dos sintomas apresentados. As informações foram divulgadas pelo g1.
O que você precisa saber
- O fato: Estudos indicam que testosterona elevada não significa mais força ou melhor desempenho militar.
- Quando: Debate ganhou força após anúncio feito em julho de 2026 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos.
- Onde: Estados Unidos.
- Importa porque: A reposição hormonal deve ser indicada com critérios médicos e não apenas com base no resultado de um exame.
Testosterona exerce funções importantes no organismo
A testosterona participa do desenvolvimento muscular, da produção de espermatozoides e do aparecimento de características sexuais masculinas durante a puberdade. Seus níveis diminuem naturalmente com o envelhecimento e, quando a redução é significativa e acompanhada de sintomas, a terapia de reposição pode ser indicada sob acompanhamento médico.
Segundo endocrinologistas citados na publicação, existe uma ampla faixa considerada normal para o hormônio. Dentro desses valores, diferenças entre indivíduos não determinam quem será fisicamente mais forte ou mais masculino.
Treinamento e hábitos de vida têm maior influência na força
O endocrinologista Adrian Dobs afirma que homens saudáveis com níveis diferentes de testosterona podem apresentar desempenho semelhante. Fatores como treinamento físico, alimentação adequada e qualidade do sono exercem influência mais consistente sobre força muscular e condicionamento físico.
O artigo também lembra que a testosterona varia naturalmente ao longo do dia e conforme diferentes períodos do ano. Por esse motivo, exames costumam ser solicitados quando há sintomas compatíveis com deficiência hormonal e não como rastreamento indiscriminado.
Reposição hormonal exige indicação médica
A terapia com testosterona pode provocar efeitos adversos. Entre eles estão redução da produção natural do hormônio, diminuição da fertilidade, acne, queda de cabelo e aumento do tecido mamário em alguns pacientes. Por isso, o tratamento deve ser indicado apenas após avaliação clínica e laboratorial.
Segundo o autor, o crescimento das prescrições de testosterona nos Estados Unidos também está relacionado à expansão de clínicas que oferecem o hormônio como forma de melhorar bem-estar e desempenho, embora essa prática nem sempre esteja baseada em indicações médicas consolidadas.
Pesquisas mostram relação limitada entre testosterona e agressividade
Uma revisão publicada em 2001, reunindo 45 estudos com quase 10 mil participantes, encontrou apenas uma associação pequena entre testosterona e agressividade. Outra análise, divulgada em 2020, identificou evidências fracas de que a administração do hormônio aumente comportamentos agressivos.
Segundo as pesquisas citadas, fatores sociais, experiências pessoais e pressão cultural relacionada à masculinidade exercem influência importante sobre esse comportamento, muitas vezes maior do que a ação direta do hormônio.
Condições do serviço militar também influenciam os níveis hormonais
O artigo cita um estudo de 2020 com Rangers do Exército dos Estados Unidos que observou redução dos níveis de testosterona durante períodos de privação de sono no treinamento. Estresse prolongado, alimentação inadequada e lesões também podem contribuir para alterações hormonais.
Especialistas destacam que a reposição hormonal não substitui medidas voltadas à melhoria das condições de saúde. Pessoas com sintomas compatíveis com deficiência de testosterona devem procurar avaliação médica antes de iniciar qualquer tratamento.
Fonte: G1

