Especialistas alertam para a importância de medir a lipoproteína(a) ao menos uma vez na vida. Exame simples identifica um fator de risco cardiovascular hereditário que ainda não possui tratamento específico aprovado.
A lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), é um tipo de colesterol determinado principalmente pela genética e que pode aumentar em até três vezes o risco de infarto. Apesar da importância desse marcador cardiovascular, ele ainda é pouco solicitado na rotina médica e não responde ao tratamento com estatinas, medicamentos amplamente utilizados para reduzir o colesterol LDL.
Segundo informações publicadas pelo g1, novas diretrizes do American College of Cardiology e da American Heart Association passaram a recomendar, em 2026, que todos os adultos façam a dosagem da lipoproteína(a) pelo menos uma vez na vida. A medida busca identificar precocemente pessoas com maior risco cardiovascular antes mesmo do surgimento de sintomas.
O que você precisa saber
- O fato: a lipoproteína(a) elevada aumenta o risco de infarto e tem origem principalmente genética.
- Quando: a recomendação passou a constar na diretriz americana publicada em 2026.
- Onde: orientação divulgada por entidades médicas dos Estados Unidos e repercutida pelo g1.
- Importa porque: identificar a Lp(a) elevada permite reforçar a prevenção das doenças cardiovasculares.
A lipoproteína(a) é determinada pela genética
Diferentemente do colesterol LDL, que costuma responder à alimentação, à atividade física e aos medicamentos, a lipoproteína(a) é definida quase totalmente pela herança familiar. Segundo o cardiologista Elzo Mattar, diretor do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 90% do valor encontrado no exame depende da genética.
Isso significa que mudanças no estilo de vida continuam sendo importantes para reduzir o risco cardiovascular, mas exercem pouca influência sobre os níveis dessa fração do colesterol. A pessoa nasce com uma tendência genética de apresentar valores mais altos ou mais baixos.
O risco cardiovascular aumenta mesmo com LDL controlado
Estudos observacionais mostram que pessoas com lipoproteína(a) acima de aproximadamente 50 mg/dL apresentam um risco significativamente maior de desenvolver infarto. Segundo Mattar, essa elevação pode representar um risco até três vezes maior em comparação com indivíduos que possuem níveis mais baixos.
A Lp(a) também está associada ao desenvolvimento de calcificação da válvula aórtica. Como atua de forma independente do colesterol LDL, duas pessoas com resultados semelhantes no colesterol “ruim” podem apresentar riscos cardiovasculares diferentes devido aos níveis dessa lipoproteína.
A recomendação é medir a Lp(a) pelo menos uma vez
Durante muitos anos, o exame era pouco solicitado porque não existia tratamento específico para reduzir a lipoproteína(a). Esse cenário começou a mudar após a publicação das novas diretrizes americanas, que recomendam sua dosagem ao menos uma vez na vida para todos os adultos.
Segundo Elzo Mattar, trata-se de um exame de sangue simples. Como seus níveis permanecem relativamente estáveis ao longo da vida, normalmente basta uma única dosagem para identificar se existe predisposição genética para maior risco cardiovascular.
Fonte: G1

