Disponível 24 horas por dia, a inteligência artificial pode oferecer acolhimento, mas não substitui psicólogos ou psiquiatras. Pesquisadores alertam para riscos durante crises emocionais.
A facilidade de conversar com uma inteligência artificial a qualquer hora do dia tem levado muitas pessoas a utilizarem essas ferramentas como forma de apoio emocional. Especialistas, porém, alertam que a IA não substitui psicólogos ou psiquiatras e pode trazer riscos quando usada como principal recurso para lidar com sofrimento psicológico.
Pesquisadores afirmam que, embora esses sistemas consigam manter conversas acolhedoras e gerar respostas rápidas, eles não possuem julgamento clínico, não compreendem todo o contexto de vida do usuário e podem oferecer respostas inadequadas em situações delicadas, principalmente durante crises de saúde mental.
O que você precisa saber
- O fato: Especialistas alertam para os riscos de utilizar inteligência artificial como terapeuta.
- Quando: O uso dessas ferramentas cresce à medida que a IA se torna mais acessível.
- Onde: O debate ocorre internacionalmente e também envolve usuários brasileiros.
- Importa porque: A inteligência artificial não substitui avaliação clínica nem atendimento em saúde mental.
A inteligência artificial não possui julgamento clínico
Segundo Rezvaneh Rezapour, professora da Universidade Drexel, utilizar a inteligência artificial como substituta de um profissional durante uma crise pode ser prejudicial. A pesquisadora afirma que a ferramenta pode reforçar comportamentos de autolesão em vez de oferecer uma intervenção clínica adequada e ainda intensificar sintomas relacionados a transtornos mentais.
De acordo com a especialista, esses sistemas não seguem critérios clínicos nem conseguem avaliar fatores individuais importantes para a tomada de decisões em saúde mental, o que limita sua capacidade de orientar pessoas em sofrimento psicológico.
As respostas são criadas para manter a conversa
Os modelos de inteligência artificial costumam produzir respostas acolhedoras e manter o diálogo fluindo. Esse comportamento pode transmitir sensação de compreensão e apoio, mas não significa que exista uma avaliação técnica da situação apresentada pelo usuário.
Como essas ferramentas tendem a responder de forma colaborativa, elas podem reforçar percepções e pensamentos apresentados durante a conversa, sem aplicar os limites éticos e as estratégias terapêuticas utilizadas por profissionais da saúde mental.
A privacidade dos dados também preocupa pesquisadores
Outro ponto levantado pelos pesquisadores envolve a privacidade das informações compartilhadas durante as conversas. Questões relacionadas à saúde mental costumam envolver dados altamente sensíveis, e especialistas recomendam que os usuários tenham cautela antes de informar detalhes pessoais às plataformas de inteligência artificial.
Rezvaneh Rezapour afirma que pesquisas mostram um aumento de padrões repetitivos de busca por reafirmação emocional durante conversas com IA. Segundo ela, esse comportamento pode intensificar o sofrimento em algumas pessoas e levanta dúvidas sobre a forma como essas informações são armazenadas e utilizadas.
A inteligência artificial pode complementar, mas não substituir o tratamento
Ferramentas de inteligência artificial podem auxiliar na organização de informações, oferecer conteúdos educativos e responder dúvidas gerais sobre saúde. No entanto, sintomas persistentes de ansiedade, depressão, sofrimento emocional ou pensamentos relacionados à autolesão devem ser avaliados por psicólogos ou psiquiatras.
O acompanhamento profissional continua sendo a forma mais segura de avaliar cada caso, definir estratégias terapêuticas e oferecer suporte adequado às necessidades individuais de cada paciente.
Fonte: G1
