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quinta-feira, 9 julho, 2026
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Ameba “comedora de cérebros” preocupa pesquisadores após aumento de casos em diferentes países

Infecção causada pela Naegleria fowleri continua extremamente rara, mas especialistas observam expansão dos casos para novas regiões e reforçam medidas de prevenção

A ameba “comedora de cérebros”, conhecida cientificamente como Naegleria fowleri, voltou a chamar a atenção de pesquisadores após o registro de novos casos em diferentes países. Embora a infecção seja considerada extremamente rara, especialistas alertam que o micro-organismo vem sendo identificado em regiões onde antes era incomum. A doença apresenta alta taxa de mortalidade e exige diagnóstico rápido.

Segundo informações divulgadas pelo G1, com base em reportagem da BBC News, a Naegleria fowleri vive principalmente em lagos, rios, fontes de água doce aquecida e piscinas sem tratamento adequado. A infecção ocorre quando a água contaminada entra pelas narinas, permitindo que a ameba alcance o cérebro.

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O que você precisa saber

  • O fato: Casos da ameba “comedora de cérebros” vêm sendo registrados em novas regiões do mundo.
  • Quando: O aumento dos registros ganhou destaque nos últimos anos, incluindo ocorrências recentes em 2025.
  • Onde: Casos foram identificados na Índia, Estados Unidos, Europa e também no Brasil.
  • Importa porque: Apesar de rara, a infecção pode evoluir rapidamente e apresenta elevado risco de morte.

A infecção evolui rapidamente

A Naegleria fowleri provoca a meningoencefalite amebiana primária, uma infecção que destrói o tecido cerebral. Os primeiros sintomas costumam surgir poucos dias após a exposição e incluem dor de cabeça intensa, febre, náuseas, vômitos e rigidez na nuca. Com a progressão da doença, podem aparecer alterações neurológicas, convulsões, confusão mental e perda da consciência.

Por apresentar sintomas semelhantes aos da meningite nas fases iniciais, o diagnóstico costuma ser difícil. Em muitos casos, a confirmação ocorre quando a infecção já está em estágio avançado.

Casos recentes preocupam pesquisadores

Uma análise científica publicada em 2025 no Journal of Infection and Public Health identificou 488 casos registrados entre 1962 e 2023. Cerca de 97% dos pacientes morreram em decorrência da infecção.

No ano passado, a Índia registrou mais de 200 casos confirmados, o maior surto já documentado. Segundo pesquisadores, esse aumento pode estar relacionado ao aquecimento das águas provocado pelas mudanças climáticas e também ao avanço dos métodos de diagnóstico, que hoje conseguem identificar a doença com maior precisão.

Também foram registrados casos em regiões onde a presença da ameba era considerada incomum, como Minnesota, nos Estados Unidos, Bélgica, Itália e Eslováquia. No Brasil, uma criança morreu em Rondônia após infecção confirmada pela Naegleria fowleri, segundo a Agência de Vigilância em Saúde do Estado.

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis

Especialistas explicam que crianças costumam apresentar maior risco porque passam mais tempo brincando em águas doces e realizam mergulhos com maior frequência, facilitando a entrada de água pelas narinas. Estudos também investigam se características anatômicas podem favorecer a chegada da ameba ao cérebro em pessoas mais jovens.

Diagnóstico precoce melhora as chances de sobrevivência

Embora historicamente a taxa de sobrevivência tenha permanecido próxima de 3%, um estudo recente publicado na revista Communications Medicine observou resultados mais positivos durante o surto registrado no estado de Kerala, na Índia. Mais da metade dos pacientes sobreviveu após receber diagnóstico precoce e protocolos terapêuticos padronizados.

Os pesquisadores afirmam que o reconhecimento rápido dos sintomas e o início imediato do tratamento podem aumentar as possibilidades de sobrevivência, embora a doença continue sendo considerada extremamente grave.

Medidas simples ajudam a reduzir o risco

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) orientam evitar que água doce aquecida entre pelas narinas durante mergulhos. O uso de clipes nasais ou o hábito de manter a cabeça fora da água podem reduzir o risco de infecção.

O órgão também recomenda utilizar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para procedimentos de irrigação nasal. O uso de água da torneira nesses equipamentos já foi associado a casos raros da doença.

A infecção permanece extremamente rara, mas diante de sintomas neurológicos após contato com água doce aquecida, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente para avaliação adequada. A reportagem tem como base informações do G1, da BBC News, do CDC e de estudos científicos publicados em revistas especializadas.

Fonte: G1

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