Baixa adesão à vacina e falta de prevenção contribuem para o aumento
Câncer do Colo do Útero em Santa Catarina: Casos Disparam 141 Vezes em 10 Anos e Especialistas Alertam para Risco e Prevenção
O câncer do colo do útero cresce de forma alarmante em Santa Catarina.
Um estudo publicado pela Revista da Associação Catarinense de Medicina revela que os casos aumentaram 141 vezes em uma década: passaram de 6 registros em 2013 para 849 em 2023, um cenário que acende um alerta em todo o estado.
No Brasil, a situação também preocupa. Segundo o Ministério da Saúde, a projeção é de 17 mil novos diagnósticos anuais entre 2023 e 2025 — o equivalente a 15,38 casos por 100 mil mulheres. De acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer (SIM), o país registrou 6.606 mortes pela doença em 2021.
O que causa o câncer do colo do útero?
O câncer do colo do útero é causado principalmente pela infecção persistente pelo papilomavírus humano (HPV), vírus transmitido principalmente pela relação sexual. A ginecologista e cooperada da Unimed Chapecó, Dra. Tiele Almeida Mattjie Gaiardo, reforça que mulheres entre 25 e 64 anos são as mais afetadas.
Segundo a médica, além da infecção pelo HPV, outros fatores aumentam o risco:
- Tabagismo
- Início precoce da vida sexual
- Múltiplos parceiros
- Uso prolongado de anticoncepcional oral
- Baixa adesão à vacinação contra o HPV
Vacinação contra o HPV: A principal forma de prevenção
A vacina contra o HPV foi incluída no calendário nacional em 2014. A versão quadrivalente — disponível no SUS — protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, responsáveis por verrugas genitais e por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero.
📌 Quem pode tomar a vacina pelo SUS?
- Meninas e meninos de 9 a 14 anos
- Pessoas imunossuprimidas até 45 anos
O ginecologista da Unimed Chapecó, Dr. Raulério de Campos Papini, explica que existem três tipos de vacina:
- Bivalente (16 e 18)
- Quadrivalente (6, 11, 16 e 18)
- Nonavalente, que protege contra nove variantes do vírus
Na rede privada, mulheres até 45 anos e homens até 26 anos podem se vacinar, mesmo que já tenham tido contato prévio com o HPV.
A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave aos componentes e para gestantes, que devem esperar o pós-parto.
Por que a vacinação ainda é baixa no Brasil?
Apesar da eficácia, a cobertura vacinal contra o HPV no país ainda é considerada insuficiente, muitas vezes abaixo de 60%, quando a meta ideal da OMS é de 90%.
A ginecologista Dra. Daiane Schneider destaca os principais motivos:
- Falta de informação
- Mitos sobre a vacina
- Resistência de pais e responsáveis
Ela reforça que é essencial investir em campanhas educativas nas escolas e na capacitação de profissionais de saúde, sempre com base em evidências científicas.
Exames que ajudam a prevenir o câncer do colo do útero
Mesmo vacinada, a mulher deve manter seus exames em dia. O principal deles é o Papanicolau (preventivo), capaz de identificar alterações antes que virem câncer.
Segundo o Dr. Raulério:
- A triagem começa entre 21 e 25 anos
- Deve ser feita uma vez ao ano
- Após dois exames anuais normais, pode ser realizada a cada 2 ou 3 anos
Outros exames importantes:
- Teste de HPV (DNA ou RNA): recomendado a partir dos 30 anos, com intervalo de 5 anos
- Colposcopia: indicada quando há alterações no preventivo
📌 Desde março de 2024, o Teste de HPV está disponível no SUS via tecnologia PCR.
Sintomas e tratamento do câncer do colo do útero
O câncer de colo uterino evolui lentamente e pode ser silencioso nas fases iniciais.
Em estágios avançados, pode causar:
- Sangramento vaginal fora do período menstrual ou após relação sexual
- Secreção vaginal incomum
- Dor durante a relação
- Desconforto abdominal
- Alterações urinárias ou intestinais
A Dra. Daiane explica que o tratamento varia conforme o estágio e o desejo da paciente de preservar a fertilidade. Pode incluir:
- Conização
- Histerectomia radical
- Radioterapia
- Quimioterapia
Quando diagnosticado no estágio 1, a taxa de sobrevida chega a 90% ou mais. Em estágios avançados, cai para menos de 50% — reforçando a importância de vacinar, fazer o preventivo e garantir diagnóstico precoce.
Conclusão: A prevenção ainda é o melhor caminho
O aumento expressivo dos casos em Santa Catarina mostra que o câncer do colo do útero é um problema urgente de saúde pública — mas também altamente evitável.
A vacinação contra o HPV, aliada ao exame preventivo regular, é a forma mais eficaz de reduzir novos casos e mortes.
Informação, conscientização e acesso aos serviços de saúde são fundamentais para mudar esse cenário.
Fonte: MB Comunicação
