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terça-feira, 21 julho, 2026
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Assistir muita TV na meia-idade pode estar ligado a alterações cerebrais associadas ao Alzheimer, aponta estudo

Pesquisa acompanhou mais de 1,7 mil adultos durante cerca de 24 anos e encontrou associação entre o hábito de assistir televisão e mudanças em regiões do cérebro ligadas ao Alzheimer.

Passar muitas horas assistindo televisão durante a meia-idade pode estar associado a alterações em regiões do cérebro afetadas precocemente pela doença de Alzheimer. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, que acompanhou 1.712 adultos por aproximadamente 24 anos e avaliou exames de ressonância magnética realizados no fim do acompanhamento.

Os pesquisadores observaram que nem todo comportamento sedentário apresentou a mesma relação com a saúde cerebral. Enquanto assistir televisão frequentemente esteve associado a alterações estruturais ligadas ao envelhecimento cerebral, permanecer sentado durante o trabalho apresentou resultados diferentes, sugerindo que o tipo de atividade realizada enquanto a pessoa permanece sentada também pode influenciar o cérebro.

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O que você precisa saber

  • O fato: Estudo encontrou associação entre assistir muita televisão e alterações cerebrais relacionadas ao Alzheimer.
  • Quando: Pesquisa acompanhou participantes durante cerca de 24 anos.
  • Onde: Estudo publicado na revista científica Alzheimer’s & Dementia, utilizando dados do estudo americano ARIC.
  • Importa porque: Os resultados indicam que o contexto do comportamento sedentário pode influenciar a saúde cerebral.

Assistir televisão esteve associado a alterações cerebrais

Os pesquisadores analisaram informações do estudo americano ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), que acompanha fatores relacionados às doenças cardiovasculares e ao envelhecimento. Os participantes responderam perguntas sobre hábitos sedentários entre 1987 e 1989, quando tinham, em média, 53 anos. Cerca de 24 anos depois, passaram por exames de ressonância magnética para avaliação da estrutura cerebral.

Entre as pessoas que relataram assistir televisão com muita frequência, os pesquisadores identificaram maior volume de hiperintensidades da substância branca, marcador relacionado à doença de pequenos vasos cerebrais, além de redução do volume das regiões frontal e occipital e das áreas conhecidas como “assinatura da doença de Alzheimer”, conjunto de estruturas que costuma sofrer alterações precoces no processo neurodegenerativo.

Também foram observadas reduções em áreas relacionadas à memória e diferenças estruturais distribuídas em diversas regiões cerebrais. Segundo os autores, as hiperintensidades da substância branca estão associadas ao declínio cognitivo e ao aumento do risco de demência.

Nem todo comportamento sedentário apresentou o mesmo efeito

O estudo avaliou outro comportamento sedentário: permanecer sentado durante o trabalho. Nesse grupo, os pesquisadores encontraram menor volume de hiperintensidades da substância branca e maior volume das regiões frontal, occipital e parietal do cérebro.

Segundo os autores, os resultados indicam que atividades sedentárias cognitivamente mais estimulantes podem apresentar associações diferentes das observadas em atividades mais passivas, como assistir televisão. David Raichlen, professor de Ciências Biológicas e Antropologia da USC Dornsife e um dos autores principais do estudo, afirma que o tipo de atividade realizada enquanto a pessoa permanece sentada merece tanta atenção quanto o tempo total gasto nessa posição.

A associação permaneceu entre pessoas fisicamente ativas

Para verificar se outros fatores poderiam explicar os resultados, os pesquisadores ajustaram as análises considerando idade, sexo, escolaridade, hipertensão, diabetes, índice de massa corporal (IMC) e prática de atividade física. Mesmo após esses ajustes, a associação entre assistir televisão com frequência e as alterações observadas no cérebro permaneceu.

As análises também levaram em conta fatores como tabagismo e consumo de álcool. Segundo os autores, isso indica que a relação encontrada não parece ser explicada apenas pela falta de atividade física ou pela presença de fatores cardiometabólicos.

Os resultados variaram entre homens e mulheres

O estudo identificou diferenças entre os sexos. Entre as mulheres, não foram observadas associações significativas entre assistir televisão frequentemente ou permanecer sentada no trabalho e alterações na maior parte das regiões cerebrais analisadas.

Entre os homens, os pesquisadores encontraram associação entre assistir televisão com frequência e menor volume em diversas áreas do cérebro, incluindo as regiões frontal, temporal, occipital, parietal, estruturas subcorticais profundas e áreas consideradas características da doença de Alzheimer. Também foram observadas reduções distribuídas pelos dois hemisférios cerebrais.

O estudo acompanhou os participantes por mais de duas décadas

A pesquisa utilizou dados de 1.712 adultos sem diagnóstico de demência participantes do estudo ARIC. Os pesquisadores avaliaram dois tipos de comportamento sedentário autorreferido: a frequência de assistir televisão durante o tempo livre e o tempo sentado durante o trabalho.

Após aproximadamente 24 anos de acompanhamento, os participantes realizaram exames de ressonância magnética que permitiram medir o volume de diferentes regiões do cérebro e das hiperintensidades da substância branca, marcador relacionado à saúde dos pequenos vasos cerebrais.

Os autores ressaltam que o hábito de assistir televisão foi informado pelos próprios participantes, o que pode gerar imprecisões. Outra limitação é a ausência de exames de ressonância no início do estudo, o que impede comparar diretamente as mudanças cerebrais ocorridas ao longo do acompanhamento.

Os pesquisadores defendem uma nova forma de avaliar o sedentarismo

Segundo os autores, os resultados sugerem que diferentes comportamentos sedentários não devem ser tratados da mesma forma em pesquisas e estratégias de saúde pública. A atividade realizada enquanto a pessoa permanece sentada pode exercer influência sobre a saúde cerebral.

“Frequentemente incentivamos o público a não passar muito tempo sentado, mas os especialistas podem querer ampliar essa recomendação para abranger as atividades realizadas enquanto se está sentado, já que estas parecem ter impactos distintos na saúde cerebral”, afirma Natan Feter, autor correspondente do estudo e pesquisador de pós-doutorado da USC Dornsife.

Os pesquisadores destacam que o estudo encontrou uma associação entre o hábito de assistir televisão e alterações cerebrais, mas os resultados não demonstram uma relação direta de causa e efeito. Novas pesquisas serão necessárias para compreender como diferentes tipos de comportamento sedentário podem influenciar o risco de doenças neurodegenerativas ao longo do envelhecimento.

Fonte: G1

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