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sexta-feira, 25 setembro, 2026
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Doação de órgãos reforça a importância do diálogo e da manifestação desse desejo em vida

Viver em outras vidas

Edivan Tonato gostava de viajar, andar de bicicleta e conhecer lugares novos. Mas, para a família, talvez sejam os gestos cotidianos que melhor contem quem ele era. Era o irmão que buscava e levava as irmãs quando elas ainda não dirigiam, que cuidava da mãe e que costumava organizar as coisas de casa. Trabalhador e criterioso, entre os quatro filhos de Evanir Tonato, ao lado dos irmãos Edegar, Edivane e Edinéia, tornou-se um dos principais pontos de apoio da família. “Ele era um grande suporte. Era um pilar de nossa casa, era quem cuidava de todos. Tinha uma alegria e uma forma única de viver. Muito do que somos é por causa dele também”, recorda Edivane. A mãe também guarda na memória o filho trabalhador, zeloso e companheiro de viagens. Edivan fazia questão de aproveitar a vida, mas sem deixar de cuidar daqueles que estavam ao seu redor. Essa característica também aparece nas lembranças de Edinéia. “Ele sempre tinha esse lado de nos cuidar, de cuidar da mãe, no sentido de estar zelando pela nossa segurança”, conta. Foi justamente a ausência desse irmão tão presente que a família precisou começar a compreender de maneira inesperada. Saudável, sem histórico de doenças e com uma rotina ativa, Edivan sofreu uma parada cardiorrespiratória e foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O que havia começado como um dia comum transformou a rotina da família. *UMA VONTADE CONHECIDA PELA FAMÍLIA* A confirmação da morte encefálica trouxe a notícia para a qual nenhum deles estava preparado. A família, porém, não precisou imaginar o que Edivan pensaria sobre a possibilidade de doar seus órgãos. Em uma conversa anterior, ele havia manifestado esse desejo. Quando chegou o momento de decidir, os familiares encontraram nessa lembrança um caminho para respeitar a vontade de Edivan. “Eu acho que essa foi a parte menos complicada para a gente, porque foi uma decisão unânime. E não foi nada difícil fazer essa escolha por quem ele era, pela generosidade que ele sempre teve”, conta Edivane. A autorização da família permitiu que órgãos de Edivan fossem destinados à doação. Para os irmãos, a decisão não diminui a ausência e tampouco torna mais simples o processo de luto. Ela acrescenta, porém, um significado à despedida ao saberem que a escolha poderia contribuir para a vida de outras pessoas. “A gente não tem mais ele fisicamente. Mas é pensar que, de repente, uma partezinha dele ainda está nessa vida”, relata Edivane. *CUIDADO ATÉ O ÚLTIMO MOMENTO* Ao recordar os dias no Hospital Unimed Chapecó, a família também destaca a maneira como foi acompanhada durante o processo. Os exames e as diferentes etapas do protocolo foram apresentados gradualmente, permitindo que os familiares compreendessem a condição de Edivan e esclarecessem suas dúvidas. Para Edinéia, a condução trouxe clareza sem retirar da família o tempo necessário para assimilar o que estava acontecendo. “Tudo foi conduzido de maneira bem clara e ética, sempre explicando e deixando claro o que estava acontecendo. A decisão foi tomada pela família, não houve uma espécie de pressão. A gente conseguiu conversar e ir construindo juntos a decisão”, relata. Entre procedimentos, exames e equipamentos, foi uma atitude aparentemente pequena que permaneceu especialmente viva na lembrança dela. Durante uma das visitas, Edinéia observou uma profissional da enfermagem abrir um protetor labial e aplicá-lo cuidadosamente nos lábios de Edivan. “Eu achei isso um ato tão delicado. Foi um cuidado que me marcou, muito sensível, muito digno. A gente acredita que até o último segundo ele foi cuidado”, recorda. *META ATINGIDA* Depois da doação, mãe e irmãos passaram a imaginar os caminhos que os órgãos de Edivan poderiam ter seguido. Como a despedida ocorreu durante o período da Copa do Mundo, a família imaginou alguém podendo assistir aos jogos a partir de uma córnea doada. Também pensou em outra pessoa tendo a possibilidade de voltar a andar de bicicleta, atividade que fazia parte da vida de Edivan. Para Edivane, é uma realidade marcada por sentimentos que coexistem. “É um grande paradoxo. A luzinha dele aqui apagou, a gente sente muito a perda, a falta e tudo, mas para outra família é um motivo de alegria. É receber uma ligação e dizer que você pode continuar a sua vida.” Uma das últimas lembranças daquele período ficou registrada ainda no hospital. Havia no quarto um quadro utilizado pela equipe com informações e metas relacionadas ao paciente. No campo destinado à forma como ele gostaria de ser chamado, Edivane escreveu “Velho do Mar”, um apelido carinhoso usado pela família. Entre as metas assistenciais registradas no quadro, ela acrescentou outra: “viver em outras vidas”. Hoje, ao recordar a decisão tomada pela família, completa: “meta atingida.” *ACOLHIMENTO E HUMANIZAÇÃO* No Hospital Unimed Chapecó, o acompanhamento de situações como a vivenciada pela família Tonato envolve a Comissão Hospitalar de Transplantes. Formada por profissionais de diferentes áreas, como enfermagem, medicina, psicologia e serviço social, ela atua na identificação e no acompanhamento de potenciais doadores, especialmente diante da suspeita de morte encefálica. A enfermeira supervisora da Unidade de Terapia Intensiva e integrante da Comissão, Alcione Pozzebon, explica que o trabalho envolve desde o acompanhamento dos protocolos e a comunicação com a Central Estadual de Transplantes de Santa Catarina até o suporte oferecido aos familiares. “É um momento que naturalmente gera muita angústia e expectativa para os familiares. Por isso, nosso trabalho precisa unir segurança técnica, ética e humanização”, explica. A atuação da Comissão também envolve a organização e a logística necessárias ao processo. No entanto, Alcione ressalta que o acolhimento ocupa lugar central, especialmente porque a abordagem sobre a possibilidade de doação ocorre quando os familiares acabaram de receber a notícia da morte de alguém próximo. “A equipe não está ali simplesmente porque quer que a família doe órgãos. Estamos ali para acompanhar o processo, oferecer suporte e acolher a família em um dos momentos mais difíceis de sua vida”, reforça Alcione. *UMA CONVERSA QUE PODE MUDAR VIDAS* No Brasil, a doação de órgãos após a morte depende da autorização familiar. Por isso, no mês em que é celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos, em 27 de setembro, é importante reforçar que conhecer previamente a vontade da pessoa pode auxiliar os familiares diante de uma decisão tão delicada. “Converse com quem você ama e manifeste o seu desejo. Falar sobre doação é uma forma de preparar a família para uma decisão difícil e representa esperança para outras pessoas. A doação de órgãos pode ser o último gesto de uma pessoa e, ao mesmo tempo, o primeiro capítulo para a vida de quem recebe este órgão”, completa Alcione.

Fonte: Comunicação Interna Unimed Chapecó

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Foto – Doação de órgãos reforça a importância do diálogo e da manifestação desse desejo em vida.

Fonte: MB Comunicação

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