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quarta-feira, 29 julho, 2026
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Como identificar abusos durante consultas com ginecologista e conhecer os direitos da paciente

Especialistas explicam quais procedimentos fazem parte de uma consulta ginecológica, quando o consentimento é obrigatório e quais situações podem caracterizar infração ética ou crime.

Consultas com ginecologista envolvem exames íntimos que fazem parte da rotina de prevenção e acompanhamento da saúde da mulher. Ainda assim, muitas pacientes têm dúvidas sobre quais procedimentos são realmente necessários, quando o médico deve pedir autorização e quais situações podem indicar uma conduta inadequada ou até um crime.

O assunto voltou ao debate após a denúncia contra um ginecologista suspeito de filmar uma paciente com uma câmera escondida em um par de óculos durante uma consulta em Salvador (BA). O caso reacendeu a discussão sobre os direitos das pacientes e os limites éticos durante o atendimento médico. As informações são do G1.

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O que você precisa saber

  • O fato: especialistas orientam como identificar condutas inadequadas em consultas ginecológicas.
  • Quando: durante consultas, exames físicos e procedimentos íntimos.
  • Onde: em consultórios, clínicas e hospitais públicos ou privados.
  • Importa porque: conhecer os direitos ajuda a reconhecer abusos, interromper atendimentos inadequados e buscar os canais de denúncia.

A consulta deve ser explicada antes de qualquer exame

Segundo a ginecologista Lia Cruz Vaz da Costa Damásio, presidente da Comissão Nacional Especializada em Defesa e Valorização Profissional da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), toda consulta ginecológica exige respeito à privacidade da paciente e comunicação clara sobre cada etapa do atendimento.

De acordo com a especialista, perguntas, exames e procedimentos devem estar relacionados ao motivo da consulta. Antes de qualquer toque ou exame, a paciente precisa receber informações sobre o que será realizado, por qual motivo ele é indicado, quais partes do corpo serão examinadas e quais sensações podem ocorrer durante o procedimento.

Nem toda consulta exige exame físico

Especialistas ouvidas pela reportagem explicam que consultas ginecológicas nem sempre incluem exame físico. A necessidade de avaliar as mamas, realizar exame pélvico, toque vaginal ou coleta do exame de Papanicolau depende da idade da paciente, dos sintomas apresentados, do histórico clínico, dos fatores de risco e do objetivo da consulta.

Apenas buscar orientação sobre métodos contraceptivos, por exemplo, não significa que um exame íntimo será obrigatório. A indicação deve ter justificativa clínica.

Consentimento deve existir durante toda a consulta

A ginecologista e obstetra Fátima Iyetunde Oladejo, especialista em perícia médica e medicina legal pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que o profissional deve explicar cada procedimento utilizando linguagem simples e pedir autorização antes de iniciar cada etapa do exame.

Também é dever da equipe garantir privacidade para que a paciente troque de roupa, oferecer cobertura adequada durante o exame e manter exposta apenas a região que estiver sendo avaliada.

Exames íntimos seguem protocolos técnicos

Quando há indicação para exame das mamas, a avaliação normalmente começa pela inspeção visual e segue com a palpação das mamas e, quando necessário, das axilas. Durante esse processo, apenas a região examinada deve permanecer descoberta.

Já o exame ginecológico pode incluir a inspeção da vulva e da região perineal. Se houver indicação clínica, o médico pode utilizar o espéculo para visualizar o colo do útero e realizar a coleta do exame preventivo ou de outros testes. Segundo as especialistas, o equipamento deve ser adequado ao perfil da paciente e introduzido apenas após explicação e consentimento.

O toque vaginal não pode ser automático

A ginecologista Luiza Sprung, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), explica que o toque vaginal deve ser realizado apenas quando houver justificativa clínica para avaliar estruturas como útero, colo do útero e anexos.

Segundo ela, o consentimento não pode ser presumido. O fato de a paciente estar na maca ou já ter iniciado a consulta não significa autorização para qualquer procedimento. Sempre que houver mudança relevante no exame ou a realização de uma nova etapa, o médico deve solicitar nova autorização.

Ao final da consulta, o profissional também deve explicar os achados do exame, esclarecer dúvidas e orientar sobre os próximos passos do atendimento.

Fonte: G1

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