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terça-feira, 20 outubro, 2026
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Anvisa aprova nova indicação de medicamento para câncer de pulmão com mutação no EGFR

Datroway passa a ser autorizado para pacientes com câncer de pulmão de não pequenas células após terapia-alvo e quimioterapia à base de platina.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova indicação para o medicamento Datroway (datopotamabe deruxtecana), ampliando as opções de tratamento para adultos com câncer de pulmão de não pequenas células localmente avançado ou metastático com mutação no gene EGFR. O medicamento é destinado a pacientes que já passaram por terapia-alvo e quimioterapia à base de platina.

A decisão, publicada na segunda-feira (27), permite a comercialização do medicamento para essa nova indicação no Brasil. O Datroway já possuía registro para determinados casos de câncer de mama e agora poderá ser utilizado em um grupo de pacientes que costuma ter poucas alternativas terapêuticas após a progressão da doença.

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O que você precisa saber

  • O fato: A Anvisa aprovou uma nova indicação para o medicamento Datroway no tratamento de um subtipo de câncer de pulmão.
  • Quando: A decisão foi publicada na segunda-feira (27).
  • Onde: Brasil.
  • Importa porque: O medicamento amplia as opções de tratamento para pacientes com poucas alternativas após terapias anteriores.

Medicamento atende pacientes com mutação no gene EGFR

O câncer de pulmão de não pequenas células representa cerca de 85% dos casos da doença. Entre esses tumores, uma parcela apresenta mutações no gene EGFR, alteração que favorece o crescimento das células cancerígenas.

Nas últimas décadas, esses pacientes passaram a ser tratados com terapias-alvo desenvolvidas para bloquear especificamente a proteína produzida pelo EGFR alterado. Embora esses medicamentos tenham melhor desempenho do que a quimioterapia convencional em muitos casos, o tumor pode desenvolver resistência ao tratamento com o passar do tempo.

Datroway passa a ser alternativa após progressão da doença

Quando a doença continua avançando mesmo após a terapia-alvo e a quimioterapia baseada em derivados de platina, as opções terapêuticas tornam-se mais limitadas. Segundo a Anvisa, esse cenário representa uma necessidade médica ainda não plenamente atendida.

Com a nova indicação, o Datroway passa a integrar as alternativas disponíveis para esse grupo específico de pacientes.

Tratamento utiliza tecnologia de anticorpo-fármaco

O datopotamabe deruxtecana pertence à classe dos conjugados anticorpo-fármaco. Esses medicamentos unem um anticorpo capaz de identificar proteínas presentes na superfície das células tumorais a uma molécula de quimioterapia.

Depois de localizar a célula do câncer, o anticorpo libera o medicamento diretamente no alvo. A estratégia busca concentrar a ação sobre o tumor e reduzir a exposição dos tecidos saudáveis quando comparada à quimioterapia convencional.

Aprovação não garante oferta imediata pelo SUS

A autorização da Anvisa permite a comercialização do medicamento para essa indicação, mas não significa que ele será disponibilizado automaticamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Para que isso aconteça, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ainda deverá avaliar as evidências científicas, o impacto orçamentário e a relação entre custo e benefício do tratamento. Na saúde suplementar, a cobertura também depende da análise da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e da atualização do rol de procedimentos quando aplicável.

Especialista aponta benefício para pacientes com poucas opções

Segundo o oncologista Stephen Stefani, do grupo Oncoclínicas e da Americas Health Foundation, a aprovação atende uma demanda existente para pacientes cuja doença continua progredindo após as principais linhas de tratamento.

“Depois que o câncer progride mesmo após as terapias direcionadas ao EGFR e a quimioterapia, havia poucas opções capazes de controlar a doença. Esse medicamento passa a ocupar esse espaço”, afirma.

De acordo com o especialista, estudos mostraram redução do tumor em cerca de 45% dos pacientes tratados, com controle da doença por uma mediana de 6,5 meses. Para pessoas que já esgotaram as principais linhas terapêuticas, esse resultado é considerado clinicamente relevante.

Avanços ampliam a medicina personalizada no tratamento do câncer

O câncer de pulmão continua sendo a principal causa de morte por câncer no mundo. Embora o tabagismo permaneça como o principal fator de risco, o avanço da medicina tem permitido o desenvolvimento de tratamentos direcionados às características moleculares dos tumores, como as mutações no gene EGFR.

A nova indicação aprovada pela Anvisa amplia o arsenal terapêutico disponível para pacientes cuja doença voltou a progredir após os tratamentos já estabelecidos. A incorporação do medicamento ao SUS e aos planos de saúde ainda dependerá das análises dos órgãos responsáveis.

Fonte: G1

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