back to top
quarta-feira, 22 julho, 2026
InícioCotidianoCientistas da USP criam teste que detecta superbactéria em 6 horas e...

Cientistas da USP criam teste que detecta superbactéria em 6 horas e pode acelerar diagnóstico em UTIs

Método desenvolvido por pesquisadores da USP identifica portadores de bactérias resistentes em poucas horas, reduz o tempo de isolamento desnecessário e pode otimizar o controle de infecções hospitalares.

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e do Hospital das Clínicas da FMUSP desenvolveram um teste capaz de identificar portadores de enterobactérias resistentes aos carbapenêmicos (ERC) em apenas seis horas. A tecnologia reduz em até três dias o tempo de diagnóstico em comparação ao método convencional e pode acelerar decisões importantes para o controle de infecções hospitalares.

Os resultados foram apresentados em quatro estudos publicados em três periódicos científicos internacionais. Segundo os pesquisadores, o exame de baixo custo funciona de forma semelhante aos testes rápidos de farmácia e permite identificar precocemente pacientes colonizados por essas bactérias. Apesar do ganho de tempo, os autores ressaltam que o teste, sozinho, não é suficiente para impedir a transmissão dentro dos hospitais.

- Publicidade -

O que você precisa saber

  • O fato: pesquisadores da USP criaram um teste que identifica superbactérias em seis horas.
  • Quando: resultados publicados em quatro estudos científicos.
  • Onde: pesquisa desenvolvida pela FMUSP e Hospital das Clínicas da FMUSP.
  • Importa porque: o diagnóstico mais rápido pode reduzir isolamentos desnecessários e acelerar medidas de controle de infecções.

As superbactérias representam uma ameaça crescente

As Enterobactérias Resistentes aos Carbapenêmicos (ERC) formam um grupo de bactérias resistentes a antibióticos utilizados em infecções graves, como os carbapenêmicos. Entre elas estão espécies como Klebsiella pneumoniae e Escherichia coli. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica essas bactérias como prioridade crítica devido ao impacto na saúde pública.

Quando essas bactérias provocam infecções na corrente sanguínea, pulmões ou trato urinário, o tratamento se torna mais difícil. Segundo a apuração, infecções por ERC em casos de sepse apresentaram mortalidade de 63,8% no Brasil, índice superior ao observado em infecções causadas por outras bactérias.

Colonização é diferente de infecção

Muitos pacientes carregam essas bactérias no intestino sem apresentar sintomas. Essa condição é chamada de colonização e não exige tratamento com antibióticos. O risco aumenta em pacientes internados, principalmente aqueles com imunidade comprometida ou que utilizam dispositivos invasivos, situação em que a bactéria pode causar infecções e ser transmitida para outros pacientes.

O novo teste reduz o tempo de resposta

O método utiliza um swab retal que permanece por seis horas em um meio de cultura antes de ser aplicado em um teste imunocromatográfico semelhante aos testes rápidos utilizados em farmácias. O exame identifica a presença das enzimas responsáveis pela resistência aos antibióticos e informa qual tipo está presente.

Segundo o infectologista Matias Chiarastelli Salomão, professor colaborador da FMUSP e um dos autores da pesquisa, a principal vantagem está na combinação de rapidez, simplicidade e baixo custo, permitindo que hospitais com menos recursos realizem o diagnóstico mais cedo.

O diagnóstico rápido melhora a tomada de decisão

Durante a validação, o teste reduziu o tempo para retirar pacientes não colonizados do isolamento preventivo de 47 para 23 horas. Apesar disso, os pesquisadores não observaram redução estatisticamente significativa na transmissão das bactérias durante a internação.

Os autores explicam que o exame representa apenas uma etapa do controle das infecções hospitalares. Para reduzir a disseminação das superbactérias, continuam sendo indispensáveis medidas como higiene das mãos, limpeza adequada dos ambientes, isolamento quando indicado, vigilância epidemiológica e uso racional de antibióticos.

A tecnologia ainda depende de avaliação para uso no SUS

Segundo os pesquisadores, o teste pode beneficiar especialmente UTIs, unidades de transplante, hematologia, oncologia e centros de tratamento de queimados. Antes de uma eventual incorporação ao Sistema Único de Saúde (SUS), a tecnologia ainda precisará passar pela regularização na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Se aprovado, o próximo passo envolve planejamento para aquisição da tecnologia, distribuição aos hospitais e capacitação dos laboratórios responsáveis pelos exames.

Fonte: G1

- Publicidade -

Mais Lidas

- Publicidade -

Participe do nosso grupo de Whatsapp e receba nossas matérias e promoções.

*Ao entrar você está ciente e de acordo com todos os termos de uso e privacidade do WhatsApp

Matérias Relacionadas

Consenso internacional orienta uso de Ozempic e Mounjaro com mais proteína e musculação

Documento publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology recomenda maior consumo de proteínas,...

Incontinência urinária não é algo que você precisa aceitar como normal

No vídeo, o Dr. Solon Casaletti explica o que está por trás desse problema,...

Após chuvas, saúde amplia atendimento na Efapi

Depois dos danos provocados pelas chuvas, unidade amplia horário até 31 de julho para...

Crises respiratórias no inverno: sinais de alerta indicam quando procurar atendimento imediato

Dificuldade para respirar, chiado persistente, cianose e incapacidade de falar frases completas podem indicar...